Estação Canção


Enviada em: segunda-feira, 28 de agosto de 2006 10:54
Para: 'Franco Guizzetti & Vera Caballero'
Assunto: RES: Vera YOGA -

 

Oi Vera:

 

Que bom ouvir você! 

 

Tenho acompanhado as noticias da Alma Serena através dos e-mails que recebo de você e me alegra saber que você continua firme na construção o seu mundo e ajudando outras pessoas a construir o mundo delas.

 

Muitas vezes penso em manter algum contato com vocês mas a preguiça, o desanimo e a auto desculpa de aguardar o momento ideal, que nunca chega, tem adiado esse encontro. Agora tenho recebido alguns indícios de que isso possa acontecer em breve.

 

Você deve saber que é quase impossível praticar yoga sozinho. Então, minhas praticas que mais se aproximam de tudo que aprendi com você são os relaxamentos que pratico quando estou muito mal e, como pode ser previsível, o resultado nem sempre é satisfatório.

 

Há alguns dias atrás li um artigo na Internet sobre as diversas técnicas de meditação e em uma delas o processo era o uso de visualização de imagens que me fez lembrar das vezes que você usava isso nas tuas aulas.     

 

De lá pra cá, tenho usado esse processo para buscar equilíbrio e o resultado tem sido muito bom. Surpreendentemente depois do inicio desta pratica recebi seguidas ligações de pessoas com quem não falava há muito tempo, que parece de se lembraram de mim ao mesmo tempo. Na sexta-feira passada usei na meditação o CD de Mantras Tibetanos que copiei de você, lembra?. Talvez ai esteja o sinal que me levou aos seus pensamentos.

 

Acho que eu estava desconectado das ondas telepáticas e ao começar a meditar fui jogado novamente na rede. E se eu estou na rede todos podem me ver. E é por isso também que a sensação é muito gostosa e significativa.

 

Se você me ouviu ouvindo mantras tibetanos sua “audição” está ótima pois eu estava com fones de ouvido. Você bem sabe que aqueles mantras assustam os incautos e eu não queria ninguém assustado atrapalhando minha concentração.

 

Então é assim: eu não estou mal, mas depois que eu melhorar (???), juro que vou visitar vocês. Parece que a Lucy e a Nancy ainda estão por perto, não é?. Mande beijos à elas.

 

Sucesso e muita luz. Sempre.

 

Beijos.

 

Mario



 Escrito por Ocara RBJ às 19h54
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Meu modelo

  

Uma vez, uma amiga me perguntou se eu não sentia falta de uma paixão ou de estar amando alguém. Perguntou ainda qual seria o meu modelo da mulher ideal, fatal, irresistível. Não sei porque perguntou se a resposta é tão simples!

 

Meu modelo é o de uma mulher bonita, sensual, elegante, culta, inteligente, alegre, que saiba rir e sorrir, que tenha dotes artísticos, que adore música, que goste da noite, que seja rica e que goste de mim. Bem, ela deverá ter algumas outras qualidades que não me ocorrem agora, como por exemplo “carinhosa” que me ocorreu agora.

 

Essa minha amiga pareceu muito interessada e imaginei que devo elaborar um formulário para ela preencher, e, logicamente, eu serei o avaliador, depois da aplicação de alguns testes básicos de experimentação (a apostila diz “degustação” termo que acho inadequado) e confirmação do saldo bancário.

 

Porque formulários e porque teste? Por que tudo é relativo. O amor tem razões e valores que só formulários e a experiência podem ajudar a avaliar baseados na teoria da subjetividade relativa do amor. Parece complicado né?. Mas não é. É assim: se você minha amiga se apaixonar por mim (e isso é facinho, facinho) eu me torno subjetivamente no seu príncipe encantado. Ser o seu príncipe encantado é só relativo e subjetivo, porque eu não sou o seu príncipe encantado. Eu sou só eu mesmo.

 

Deu pra entender? Se não deu, você vai ver que dá, com um pouco de esforço.

 

E, se baseado no modelo da apostila, eu me apaixonar por você, você será relativamente o que eu quero que você seja subjetivamente, ou seja: você será você, embora relativamente você não é você, mas com certeza você continua sendo você mesma. 

 

A sua conta bancária também permanece a mesma, tendo apenas a inclusão de um “e/ou”

 

Acho que agora ficou um pouco mais claro, não é verdade?  Deu pra entender?. 



 Escrito por Ocara RBJ às 18h50
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Ei você!

 

O que é que está procurando aqui? Você não tem o que fazer? Pois bem, não o faça aqui!. Isto aqui é meu terreiro. Propriedade particular e privada. Registrada em cartório, em meu nome: Mario, aquele que vai te catar atrás do armário.

 

Ainda está ai?. Você é surdo(a)?, não sabe ler?. Não te vejo mas não sou cego. Nem sei de que sexo você é, se é que é de algum qualquer. Acho que você é baixinho, e está se escondendo atrás do rodapé. Sai daí Mané!.

 

Você não tem vergonha, nem coragem de se mostrar?. O que que há?. Tem medo de me encarar?. Fique sabendo que sou o terror das baladas da zona leste - o the best, seu cabra da peste!.

 

Não venha querer me roubar. É fria. Sou agente secreto da CIA. Sou forte e corajoso. Mordo mais que cachorro raivoso  E isso aqui não é nenhuma boca, seu cabeça oca!

 

Agora se você chegou até aqui, não fique ofendido. Devo dizer que é tudo brincadeira.  É que deu vontade de escrever todas essas besteiras 

 

Seja bem vindo mas... não venha querer me roubar. É fria... CIA...credo! Acho que estou em loop...   



 Escrito por Ocara RBJ às 14h40
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Josy:

 

Como vai você?. Cheguei de viagem ontem pela manhã. Foi uma viagem muito boa e os dias que lá passei foram ótimos!. Estava acontecendo o casamento do meu sobrinho e foram dois dias de festa. Na sexta-feira foi a cerimônia civil e no sábado, na igreja. Depois da igreja teve a festa de casamento com jantar e churrasco. Como sobrou muita comida e bebida, no domingo continuamos a comilança. O melhor de tudo, como você sabe, é estar no meio de gente de quem você gosta muito e que também gostam muito de você.

 

Balneário Camburiu é uma cidade turística que vive entupida de argentinos. Andando pelas ruas e pela praia você quase tem a sensação de estar em outro pais, não fosse o cômico portunhol das balconistas e garçons.

 

Ali tudo é muito calmo. Nos finais de semana, você pode andar a noite inteira pela calçada da praia sem correr risco algum, e ainda compartilhando os quiosques e bares com o pessoal que curte a madrugada. Depois que escurece é comum ver casais namorando na areia e até dentro da água,  

 

Por incrível que pareça não fui tomar banho de mar nenhum dia, em parte por falta de vontade e em parte por ter sempre companhia para jogar conversa fora e tomar cerveja.  Já há muito tempo que meu passa-tempo favorito é apreciar a paisagem em 360 graus sentado nos banquinhos dos quiosques. A natureza é bela, o mar é belo, a cerveja é bela e tal e tals...

 

Os catarinas são educados embora um tanto fechados. É difícil entabular conversa com eles. As catarinas são bonitas e muito sensuais. Lamentavelmente sofrem dos mesmos defeitos dos catarinas. As argentinas nem são bonitas nem sensuais e felizmente sofrem dos mesmos defeitos das catarinas

 

Eu gosto muito de estar lá embora esta tenha sido uma das poucas vezes em que eu queria ficar um pouco mais. Creio que você gostaria de conhecer a cidade e quem sabe na próxima vez nos não vamos juntos?.  

 

Beijos,



 Escrito por Ocara RBJ às 19h24
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Pra Você

 

Pra você mulher feliz, pra você da amargura

Pra você mulher da vida fácil, pra você de vida dura

Pra você mulher presente, pra você de vida errante

Pra você mulher amiga, pra você que está distante

Pra você mulher que cuida, pra você mulher que cura

Pra você mulher que ama, pra você mulher que chama

Pra você mulher que ri, pra você mulher que sente

Pra você mulher que espera, pra você que sai na frente

Pra você mulher da pele, pra você mulher da mente

Pra você mulher da gente, pra você mulher semente

 

Pra Você o Meu Amor Eterno



 Escrito por Ocara RBJ às 19h59
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Hello Guria

 

Bom dia!!

 

Como você está?? Estive ontem ai e não te vi. Má sorte. Espero que tenha se divertido nestes dias de ócio do carnaval. Dizem que o ano começa de verdade depois do carnaval. Acho uma bobagem porque o tempo não para, nem nós podemos parar. Então tudo se resume em um dia, depois outro dia. Mas ainda assim, dentro das minhas contradições, alimento a esperança de que agora as coisas vão ser melhores. Pra você, pra mim, pra todo mundo.

 

Bem, e nós no sambódromo? Confesso que me decepcionei. Na minha cabeça aquilo deveria ser um grande espetáculo, cheio de empolgação, alegria, Imaginei ver os sambistas dando tudo que tinham, com amor pela escola, extasiados pelo samba-enredo e pela batida da bateria. Não vi, nem senti.

 

Aqui devo dar a eles (os sambistas) um crédito pelas minhas escolhas ou diferenças. Nunca fui de samba, nem de batucada.  Mas, sou um ser mutante, sujeito a transformações e evoluções. Tentei gostar mas não deu. Veja que consegui aprender a gostar de forró, mesmo que seja exclusivamente para dançar.

 

Houve também um outro agravante (ou talvez o único) que foi uma combinação indigesta  de bebidas doces com  outras amargas. Antes de sair de casa, tomei uma colher de mel para tratar da minha garganta irritada, crente que alem de cuidar da minha garganta aquilo iria me dar uma dose extra de energia. Não deu e em compensação me deu uma dose extra de letargia. Agora eu sei que cerveja não combina com mel. É uma pena mas acho que não vou mais tomar mel – nem pra remédio – faz muito mal.

 

Depois da terceira lata notei que estava ficando tonto (não costumo ser, nem ficar, salvo as exceções) e mesmo me esforçando para manter o nível eu estava lentamente mas irremediavelmente condenado a sucumbir antes do final da festa. Então a melhor escolha era sair, ir embora, não sem antes tentar armar pra cima de você.

 

Nas poucas vezes em que conversamos você atraiu minha atenção pela sua sinceridade, pelo charme da sua voz de criança (é elogio, viu!) em conjunto com o seu palavreado gaúcho cantado e suavemente apaulistanado. O pouco que você falou de você despertou o interesse de te saber mais e o desejo de te convidar para me acompanhar naquilo que me dá muito prazer que são os happy hours da vida nos barzinhos, ou restaurantes ou pizzarias (Deus me livre) ou seja lá o que for (Deus me ajude), qualquer dia, qualquer hora.

 

Se você for uma boa menina você dirá sim ou talvez. Se você for má, nem sei o que vai dizer, mas sei que minha impressão sobre você não vai mudar.

 

Beijo.



 Escrito por Ocara RBJ às 20h08
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Coma (não é pra comer nada não)

Passo aqui somente pra controlar os sinais vitais deste blog que está em coma profunda. Tenho fé que algum dia ele se restabeleça e a gente possa se divertir novamente, como nos velhos tempos.

Beijus

 



 Escrito por Ocara RBJ às 14h39
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Blues é Triste e Triste é Blue e Blue é Azul

 

Tenho um amigo que é entendido em música do tipo que sabe tudo sobre ritmos, formação das bandas, quem canta o que, quem catou a mulher de quem, quem compôs e também o quando e  o onde. O cara é fera!. Dia desses ele me perguntou se eu curtia blues. Como afirmei que sim, ele começou: você conhece o fulano? – não. E o beltrano? – não. E o sicrano? –não. Porra meu, você não conhece nada de blues! Eu falei – eu conheço o BB King, o Eric Clapton e os blues dos Beatles. Ele – Cara você precisa ouvir esses caras e também o Buddy Guy.

 

Buddy Guy foi o único nome que eu guardei e lá fui eu na Discoteca Kazaa “comprar” blues do Buddy Guy. Quando não conheço o artista eu seleciono a musica que tem a maior quantidade de usuários. Foi assim com a Norah Jones e deu tão certo que eu me apaixonei por ela. No meu processo de seleção escolhi Mustang Sally.

 

Essa música me trouxe uma surpresa e uma auto piada. A primeira é que ela é um blues tradicional, gostosa, balançada, super bacana. A segunda carece de uma explicação prévia. Pra mim, desde sempre “mustang” era o carrão da Ford e todo mundo pronunciava “MUSTANGUI”. Quando começa a música e o Buddy Guy canta “MASTAN SALLY” instantaneamente perguntei pra mim mesmo: onde foi que esse cara aprendeu inglês ???. 

 

"Is the book still on the table???"

"Oh maybe, maybe..."

 

 

 



 Escrito por Ocara RBJ às 20h44
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Revelação (o titulo do post aconteceu no final do post)

 

Estou de novo com vontade de escrever e vou tentar praticar para não perder o pique. Ainda que não tenho nada interessante pra contar acho importante registrar aqui que estou muito feliz embora o mundo esteja ameaçando cair sobre minha cabeça. Talvez eu não esteja muito preocupado porque não sou cabeçudo e, portanto, o máximo que pode acontecer é cair o pedaço do mundo que couber na área da minha cabeça. Acho.

 

Aqui está muito frio e arranjei uma relação extremamente amorosa com a minha cama. Estamos vivendo uma paixão intensa e muito caliente. Não dá pra explicar o quanto é difícil me separar dela todas as manhãs. Se pra mim já é triste ter que abandoná-la, imagine a tortura que é ouvir sua voz rouca gemer bem baixinho assim no meu ouvido: não vá..., fique mais um pouquinho...,  me abrace mais um pouquinho... Me aqueça... Conclusão: estou chegando atrasado no trabalho todos os dias. Quem resiste a uma cama apaixonada e sedutora?.

 

Estou vivendo uma relação de amor linda com um casal de amigos de quem já falei num post anterior. Parece que o tempo que estivemos separados nos preparou para este reencontro e está sendo um sentimento maravilhoso, bem lá do fundo do coração. Se tudo der certo, no próximo fim de semana vamos pra casa deles no Itanhaem e quer saber quem eu vou levar comigo? – o meu violão!. Eu toco mal e canto mal mas eles gostam de mim e me perdoam. A Dona Isabel queria ir mas ela vai trabalhar no sábado até as 22:00h. Então, só eu e meu violão. Quem sabe sua ausência e a distancia consigam me inspirar pra escrever a canção que quero fazer pra ela e que fala do medo de amar, do medo de correr riscos.

 

Revelação – aconteceu assim de repente – acho que é isso que está me deixando feliz: eu estou amando o mundo (menos aquele pedaço que quer cair na minha cabeça), o inverno (eu experimentei a vida primeiro no inverno), minha cama, meus amigos e amigas e muito também eu mesmo, myself. John Lennon disse: o amor é a resposta, o amor é contagiante, basta você deixá-lo fluir. Ele continua sendo meu ídolo maior

 

A princesa Isabel perguntou se eu a amo. Eu disse a ela que esse tipo de amor só se compra aos pedaços. Já comprei alguns pedaços – aqueles que ela colocou à venda. Então eu a amo uns pedaços. Esses pedaços são partes de um quebra-cabeça que forma a figura do universo. Sempre pode existir pedaços novos e o quebra-cabeça se torna infinito. Caso contrario... o universinho quebra nossa cabeça. Se minha resposta pra ela fosse siim, ela estaria assim nas minhas mãos. Porque mulher precisa tanto disso, hein?

 

 



 Escrito por Ocara RBJ às 20h59
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A garota do adeus e eu - I  - A primeira vez

 

Nunca, jamais em toda a minha vida, me dei tão bem com as mulheres como neste momento. Claro, não posso garantir que sempre sejam relacionamentos com tendências romancescas. Muitos tem mais vocação para a amizade, o que é bom demais!. Mas são amizades assim gostosas, capazes de permitir que se dance forró (argh, não agüento mais), até as cinco da manhã, com direitos a muitos, muitos abraços e muitos, muitos beijinhos de selinho. Houve uma vez em que, num descuido, uma boca se abriu e engolimos o selinho. Por sorte, tinha sabor de wiskie com Red Bull e não de cola.

 

Que coisa boa é abraçar uma mulher!. Falo daqueles abraços completamente desarmados, intensos, de corpo inteiro. Graças a esta fase, consegui descobrir o biótipo feminino que melhor combina com o meu: todos. E também descobri que tipo de mulher combina melhor comigo: todas, quer dizer, quase todas.

 

Embora seja um tanto quanto cético, aceito a Astrologia como ciência. Certa vez li que relacionamentos entre cancerianos e aquarianas é impossível dada as diferenças das características de personalidade. Bem, isso não é assim tão verdadeiro – numa agressão contra a teoria da probabilidade, metade das minhas amigas são de Aquário, e, dos homens, sou o único canceriano, e podem acreditar, existe adoração mútua, muita alegria e muito carinho.

 

Agora o lado verdade é que, de todas essas mulheres da nossa gang, umas dez ou doze na alta estação, apenas uma, infelizmente tão somente uma, tocou uma breve, porem marcante, sinfonia no meu coração. Era a linda sétima sinfonia dos insanos e ela, aquariana, como uma agressão da teoria da probabilidade contra mim. E essa relação, desde o principio, tem sido impossível, exasperante, inacabada e mal resolvida.

 

Ela apareceu junto com uma das amiga num dos happy hour das sextas, e por não ter intimidade com ninguém, acabou ficando sentada e sozinha, com um jeito muito tímido de ser. Então eu, com meu coração espaçoso e minha vocação humanista, fui lhe fazer companhia.

 

De forma inacreditável, ao longo de umas duas horas ela me contou toda sua vida, seus interesses e seus sonhos. Eu estava tão fixado nela que quase não senti os muitos discretos beliscões e olhares de censura que uma outra me enviava ostensivamente pelo simples fato de que, umas duas semanas antes, eu ter iniciado um namorico com uma menina sob o patrocínio desta que me beliscava. Resisti e ela cansou de me beliscar, embora tenha me xingado de “cachorro que não pode ver uma cadelinha no cio” quando nos cruzamos no caminho da toillete. Quanta injustiça – com o cachorro e com a cadelinha, que nem no cio estava!

 

Fiquei fascinado com a arte de contar estórias que a Isabel tinha e ainda tem. Ela falava de maneira pausada, com entonação precisa e criava climas perfeitos com o uso de silêncios e parênteses. Ora eram imagens que despertavam o riso, ora era de severa seriedade. Não percebi se ela acabara de dizer algo secreto mas de repente ela abriu um sorriso nervoso e disse que já havia falado demais e que eu contasse alguma coisa de mim. E eu disse: agora não, agora é hora de dançar. E eu dancei. E eu dançaria de qualquer maneira.

 

Saímos somente nós dois da happy hour e fomos direto em busca da happy night num bar com vídeo-oke onde ela cantou duas músicas: uma da Marisa Monte que eu não conhecia e outra da Marina Lima “esta noite eu quero te ter, toda se ardendo só pra mim...te envolver, te seduzir”. Cantou bem demais, me envolveu e me seduziu só que não ardeu nada. Isso foi há oito meses atrás.

 



 Escrito por Ocara RBJ às 20h35
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Baile

 

Domingo passado cheguei em casa as 7:00h da manhã. Vinha da casa de amigos onde tivemos um “café da manhã” com cervejas e sanduíches de calabresa apimentada com cebolas. Esse era o justo e merecido alimento para os baileiros que chegaram, no gelo da madrugada, de um baile de formatura.

 

Baile de formatura é tudo de bom. Muita gente bonita, elegante, muita música, cenas de lagrimas de despedida, longos abraços, beijos e muitos pés descalços no chão, com frio e tudo. No final sempre tem o lado podre também com aquela molecada tomando todas e se embriagando a ponto de perderem os sentidos.

 

Era a Aninha, minha sobrinha querida, que estava se formando no colegial. Valeu cada minuto das quatro horas que ela passou no salão se produzindo – ficou muito linda!.

 

Não tenho boas lembranças das minhas formaturas. As escolas sempre, sempre foram assim como um clube pra mim. O baile era o derradeiro sinal do fim de uma época agradável, da perda da companhia de bons amigos e de bons professores. Lógico que existiam os descartáveis, os inimigos e os maus professores, mas esses nunca contam. O baile era a festa da despedida e se apartar do que você gosta é sempre um pouco triste.

 

Não pretendo mais me formar em escola alguma que tenha baile de formatura. No entanto, irei em todas que me convidarem e, se tiver calabresa apimentada no final, vai ser bom demais.

 

 



 Escrito por Ocara RBJ às 21h18
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Vende-se um tesouro

 

 

Eu sabia que esse dia ia chegar. Já vinha sentindo que pouco a pouco aquilo se instalava no meu peito e suavemente se expandia, ocupando cada vez mais espaço. Tinha uma certeza que chegaria o dia em que eu teria que compartilhar isso com alguém. Confesso que já na primeira vez senti uma certa emoção com sua voz e suas historias de perdas e ganhos. Gostei do reconhecimento e a homenagem aos seus velhos ídolos e, acima de tudo, da sua sensibilidade. Na verdade, ela chamou minha atenção há uns dois anos atrás, em Santa Catarina, quando uma vizinha da minha irmã tocava muito alto e sem parar a música Mentiras, aquela que começa com: “Nada ficou no lugar. Eu quero quebrar essas xícaras”, e que termina com: “Que é pra ver se você volta, que é pra ver se você vem, que é pra ver se você olha pra mim . Talvez por falta do que fazer eu fiquei prestando atenção no drama que ela cantava e tentava imaginar o drama que a menina do lado estava vivendo. Frustrações no amor sempre tem um mundo de possibilidades...

 

Desde aquela época ela já não era mais uma estranha pra mim mas mesmo assim não tivemos nenhum contato de maior significado.

 

Um dia, passando em frente a banca de ofertas de CD’s do Carrefour, lá estava ela, Adriana Calcanhotto, linda, em foto em preto e branco, oferecendo seu Perfil, a coletânea das suas canções de maior sucesso por apenas R$ 7,99.  

 

Esse disco, assim com um grande amor, vai te possuindo aos poucos. Primeiro você ouve a delicadeza da voz, depois as letras e por fim os arranjos. A cada tocada você se encanta mais com a artista e sua arte. Descrever o conteúdo não tem muito sentido, eu não sou crítico musical.  Tem que ouvir pra ver. E se você tentar, espero que bata em você como bateu em mim.     

 

Veja o remake de Naquela Estação da Elis Regina:

 

Você entrou no trem

E eu na estação vendo o céu fugir

Também não dava mais para tentar

Lhe convencer a não partir

E agora?  Tudo bem

Você partiu para ver outras paisagens

E o meu coração embora finja fazer mil viagens

Fica batendo parado naquela estação

 

Há dias essa música não sai da minha cabeça. As vezes vem a voz solo, as vezes vem o filme inteiro. O tiítulo do post está errado. O meu eu não vendo (e nem empresto) por dinheiro algum!.

 



 Escrito por Ocara RBJ às 21h11
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Sometimes I am a Very Important Person

 

“Do jeito que você me olha, vai dar namoro...” 

 

Tem certos dias, certas ocasiões, em que eu me torno uma pessoa muito especial. Se eu soubesse a receita, eu seria um astro!!!

 

Seguinte: sabadão eu em casa fazendo trabalhos domésticos, com intenção de ir à tarde para o escritório tirar um pouco do atraso das minhas coisas, quando me liga um amigo me pedindo ajuda para derrubar um barril de 50 litros de chopp.  Eu: – como assim?.  Ele:  é.  É meu aniversário e aniversário de casamento e nós temos até a segunda-feira de madrugada pra esvaziar o barril. Eu falei: bem, amigo é pra essas coisas, vamos lá. E era verdade. Ele arranjou uma choppeira profissional e o chopp estava melhor do que muitas chopperias por ai. 

 

Esse cara e sua mulher já foram muito meus amigos. Uma intriga na qual ninguém teve más intenções acabou esfriando nossa amizade. Embora não houvesse ressentimentos, durante uns dois anos, nosso relacionamento se resumiu a apenas bom dia e boa tarde.

 

Um dia eu o convidei pra jogar futebol com o meu pessoal e ele foi. Quebrou-se o gelo. Dias depois ele me convidou pra ir à sua casa e lá ficamos bebendo e conversando animadamente até de madrugada e sentimos o quando aquela separação nos fizera mal  

 

Meu amigo é gente boa toda vida mas muito estranho e eu me empolguei. Na despedida, feliz pelo reencontro, eu, pela primeira vez, dei um abraço e um beijo no rosto da sua mulher. Quando fui lhe dar um abraço ele se encolheu. Dá pra acreditar?. Acredite. Voltou o gelo. Bem, não era o mesmo gelo, mas congelaram-se os planos de voltar a passar fins de semana na praia e as juras de amizade eterna que tínhamos trocados momentos antes.

 

Continuamos jogando bola e só,... até chegar esse sábado. Fiquei pensando: demorou dois meses pra ele me “perdoar” a ousadia de lhe beijar a mulher. Dei muitas risadas com esse pensamento.

 

Ao chegar na casa deles as 6:00h da tarde fui recebido como superstar. Foram tantas mesuras e delicadezas que me senti lisonjeado e um pouco constrangido. Isso durou até o chopp me deixar mais relaxado e então eu curti muito minha noite de vip. Ouvi coisas do tipo “que bom que você veio“, “como é legal ter você de novo aqui em casa”. Como faz bem ouvir e ver coisas assim!. O ego se inflama e você se sente realmente Ocara.

 

Fim de festa, só nos três e um dos filhos do casal. Dá-lhes chopp, muita conversa, Bruno e Marrone rolando direto no player e eles alucinados tentando achar uma música dos caras que me agradasse, até que apareceu esta  “do jeito que você me olha vai dar namoro”. Gostei. Pronto, virou a música do Mario, minha afilhada. Antes de eu ir embora, a Maria pediu para o Rubens tocar mais uma vez  “a minha música”.

 

Continuo essencialmente rocker, mas o que a gente não faz pelos amigos?. Nada de beijos e abraços na despedida. Claro, eu não iria melindrar meu amigo, de novo, com desnecessárias demonstração explicitas de uma grande amizade que não precisa disso pra ser.

 

A festa continuou no domingo, mas esta já é outra história que eu acho que não vou contar.

 



 Escrito por Ocara RBJ às 21h57
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A catarse

 

Vivi e estou vivendo nos últimos dias uma experiência interessante que gostaria de dividir com vocês. Quando estava escrevendo o post de 05/05, a lembrança da minha avó chamando minhas primas de putinhas (nada a haver uma coisa com outra, é mera coincidência), veio espontânea na minha mente e a inclui no texto. Essa pequena lembrança rapidamente se multiplicou em muitas outras que ocuparam e ainda ocupam os meus pensamentos. Junto com as imagens de comédia vieram outras tantas sentimentais que despertaram saudades e deram um nó no coração. Fazia muitos anos que eu não pensava em minha avó.

 

Só sei que por esse tempo parece que rompeu-se a couraça da alma e me tornei vulnerável aos ataques da melancolia. Num desses dias, ouvindo um disco, do qual vou falar num próximo post, a imagem de minha avó veio inteira na minha mente e, aparentemente sem motivos, me levou as lágrimas.  

 

Estava nesse estado quando chegou o sábado em que escrevi o texto da minha mãe. Amanheci com o coração apertado e uma necessidade imensa de escrever alguma coisa sobre ela e para ela. Eu não cuido muito de datas, nenhuma. Houve um tempo em que defendia a tese que todas as datas comemorativas foram inventadas pelo comercio. Hoje me tornei um pouco menos radical. De qualquer forma, não foi a data que me sensibilizou e sim o momento que já vinha vivendo.

 

E foi difícil escrever sobre aquilo porque as lembranças provocaram profundas emoções e sentimentos de faltas, de culpas, de egoísmo e outras tantas que fizeram uma mistura amarga na minha cabeça. E essa amargura permaneceu até na segunda-feira quando aos poucos fui me sentindo mais leve, mais tranqüilo.  

    

Agora estou contente e, se não pensar muito nos detalhes, a sensação que sinto é como se eu tivesse realizado meu desejo. Acho que a necessidade de reencontrar e de rever essas figuras  amadas, e com elas prestar contas, estava entalada no meu sub-consciente. Resgatá-las está sendo maravilhoso.  

Nossa mente é uma caixa preta muito louca. Quantas coisas mais estão lá represadas esperando uma chance de aflorar, trazendo emoções e dor que rapidamente se transformam em contentamento?.

 



 Escrito por Ocara RBJ às 10h03
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Minha mãe

 

Começo a escrever este texto hoje, sábado. Amanhã é dia das Mães. Hoje meu tempo é escasso e sei que não vou conseguir terminar de dizer tudo que eu quero. Mas preciso colocar aqui ao menos as sensações que estou sentindo agora porque na segunda-feira elas podem ter ido embora. Se ficarem, na segunda eu faço a revisão e concluo.

 

Minha mãe era uma pessoa calma, paciente, conformada e não sei porque, uma mulher que abriu mão de ter vida própria para cuidar dos cinco filhos. No meio dessa caminhada ela teve que cuidar de tudo sozinha e não soube ser pai e mãe, então ela se tornou mãe e mãe. Não sei se ela foi corajosa ou ingênua porque na primeira e única vez que meu pai a agrediu ela tomou os cinco filhos e abandonou a sua casa.

 

Eu nunca vi minha mãe chorar de desgosto ou se lamentar da sorte. Ela partiu muito cedo e quero acreditar que as silenciosas agruras da sua vida tenham lhe debilitado a saúde. Antes disso acontecer ela cuidou de todos nós e nos preparou para seguirmos nossos destinos e estamos seguindo.

 

O que mais lamento é que ela não esperou para viver uma época mais tranqüila junto com a gente. Foram só os anos difíceis. No tempo de colher os frutos do sucesso da sua missão ela não estava aqui pra ver.

 

O que me entristece também é ter deixado passar a oportunidade de saber mais da sua vida, da sua infância, dos seus sonhos. Parece que só depois que nos tornamos adultos é que damos importância a essa tipo de coisa e eu morro de curiosidade de muitas coisas da minha mãe.

 

O que eu queria agora era ter minha mãe aqui e perguntar pra ela: - mãe o que a senhora quer hoje?, vamos ver um show de música sertaneja?; que tal um restaurante com comida caipira, hein?, arroz, tutu, lingüiça, cupim de panela, galinha, mandioca frita e verduras; ou vamos pra praia ver o mar e comer peixe?; ou vamos fazer tudo isso?; se nada disso interessar a gente pode ficar aqui tomando café e fofocando sobre os velhos tempos e sobre aquele mundo de gente que passou e estão passando pelas nossas vidas. Eu sei que a senhora gosta de falar sobre isso e eu adoro ouvir e hoje eu tenho tempo.

 



 Escrito por Ocara RBJ às 14h15
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